04/08/2014

Depois de muitos anos de profissão, a enfermeira Bronnie Ware decidiu relatar um pouco do comportamento que via por parte das pessoas que estavam em seu leito de morte. Normalmente ele acompanhava de três a doze últimas semanas de vida dos pacientes. Os arrependimentos foram colocados em um livro “The Top Five Regrets of the Dying – A Life Transformed by the Dearly Departing”, segue aqui os cinco mais comuns:

1. Eu gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida verdadeira a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim - Este foi o arrependimento mais comum de todos. Quando as pessoas percebem que sua vida está quase no fim e olham para trás, é fácil ver como muitos sonhos não foram realizados.

2. Eu gostaria de não ter trabalhado tão duro - Isto veio de cada paciente do sexo masculino que eu acompanhei. Eles perderam a juventude de seus filhos e o companheirismo dos parceiros. As mulheres também falaram sobre esse arrependimento. Mas, como a maioria era de uma geração mais velha, muitas das pacientes do sexo feminino não tinham sido as pessoas que sustentavam a casa.

3. Eu gostaria de ter tido a coragem de expressar meus sentimentos - Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos a fim de manter a paz com os outros. Como resultado, eles se estabeleceram por uma existência medíocre e nunca se tornaram quem eram realmente capazes de se tornar. Muitos desenvolveram doenças relacionadas à amargura e ressentimento que carregavam, como resultado disso.

4. Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos - Muitas vezes eles não percebem verdadeiramente os benefícios de velhos amigos até estarem em seu leito de morte, e nem sempre foi possível reencontrá-los nestes últimos momentos. Muitos haviam se tornado tão envolvido em suas próprias vidas que tinham deixado amizades de ouro escapar nos últimos anos.

5. Eu gostaria que eu tivesse me deixado ser feliz - Este é surpreendentemente comum. Muitos não percebem, até o fim de que a felicidade é uma escolha. Eles haviam ficado presos em velhos padrões e hábitos. O chamado “conforto” da familiaridade transbordou em suas emoções, bem como as suas vidas físicas. O medo da mudança os fazia fingir para os outros e para si mesmos, que estavam satisfeitos. Quando lá no fundo, eles ansiavam em rir e serem bobos em sua vida novamente. Quando você está no seu leito de morte, o que os outros pensam de você é muito diferente do que está em sua mente. Como é maravilhoso ser capaz de relaxar e sorrir novamente, muito antes de você estar morrendo. A vida é uma escolha. É a sua vida. Escolha conscientemente, escolha sabiamente, escolha honestamente. Escolha a felicidade.

As informações são do site Dancing With DE.

08/07/2014












...até quando?

08/06/2014

sombra do tempo





rasguei o canto da folha

e levantei a sombra do tempo

nada vi senão a alegria estampada

em rostos de contornos difusos e brilhantes


alinhei as formas sem cor

                e senti uma dor singular

                que atravessou um corpo inerte

                e atingiu o centro da terra

não há horizonte nem fronteira onde morrem as flores



Irene Ermida

18/05/2014




"Muitas vezes, uma pessoa encontra o seu destino 

numa estrada que tomou para evitá-lo." 

La Fontaine

12/09/2013

Desejo calado




fecundada na nascente de um rio
nasce das pedras e do musgo
e corre nas veias do mar

uma embriaguez tortuosa agita as ondas e
murmura incontestáveis misérias surdas
e não diz 
o que no sangue corre

porque o sangue não tem cor
nem sabor, só vento e cegueira que
guia as mãos pelo centro da terra
inundada de seiva que
chove na boca 
de desejo calado.

Irene Ermida



08/09/2013

Olhar marginal



há uma certa marginalidade no teu olhar que
rouba a quietude como quem passa pelo céu e
rouba uma estrela

marginais palavras segredadas num sorriso e
o mundo avança mais depressa

e dias e noites enganam-se numa roda que
gira no prazer íntimo de um beijo

Irene Ermida

13/04/2013

...

perdido por amor
restava-lhe a sombra...
subiu o degrau e soltou o nada
(de mão estendida ao mundo)

o vazio cresceu na língua de terra
que o esperava.

nem era um instante 
nem era fragmento 
não era nada.

Irene Ermida






...

há uma estreita passagem
entre o absurdo e a lógica
na cor dos dias               que raptam a luz
e escurecem o olhar

há um entretanto             que permanece vivo
na luz das memórias 
e confunde a razão

hesitação

entre a ousadia de esquecer
e a vontade de querer.

Irene Ermida

29/01/2013

Há palavras




Há palavras que...

... nos atiram contra a parede e num telúrico movimento nos arrancam a pele
... lapidadas, nos afagam os cabelos e plantam o brilho no olhar
... fogem assustadas e partem para o esquecimento
... nos tocam com a ponta dos dedos e nos transformam em penas
... flutuam ao sabor da brisa com sabor a mar
... nos esmagam de espanto com promessas de esperança

Há tantas palavras coladas no beiral de uma boca amordaçada que diz tudo o que queremos ouvir...

E há o silêncio arrebatador de um fim de tarde:
            o sol despede-se e dorme
            a lua anoitece e sonha.
            Sem palavras!




Irene Ermida

Recanto(s) 3


Foto: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10151287104293426&set=pb.12383118425.-2207520000.1359467323&type=3&theater



são mudas e simples, mas voam 

presas por fios de silêncio

as estrelas que num murmúrio 


vagueiam e abrem portas invisíveis

são pontos e pontes crescentes

que esboçam caminhos de luz


e persistentes

nos recolhem em asas finas e resistentes

de um etéreo mistério.



Irene Ermida




26/01/2013

Recanto(s) 2






FOTO: Phillip Schumacher


um sopro feito impulso


acordado na madrugada de um adeus

separa vontades


e num recanto da despedida

há uma lua minguante

invisível à cegueira do olhar

e do sentir, que morre

no desabrochar de palavras


mudas e simples, mas voam 

presas por fios de silêncio.



Irene Ermida

21/01/2013

Recanto(s) 1

Foto: Tono Stano


há uma lonjura que me abraça

ínfimo recanto de uma indistinta melodia 

e entre a sombra e a luz existe


é uma ausência feita matéria

gerada por forças anímicas

que vacilante cintila na distância


um sopro feito impulso

acordado na madrugada de um adeus.

Irene Ermida





12/01/2013

Vermelho(s)


FOTO: José Terra

é de vermelho-vivo que se escrevem as histórias que perpassam tempos esquecidos em ramos nus de desejo de cor de sentidos sem sentido.

é de vermelho-sangue o espesso tronco que alimenta as raízes perpétuas e sólidas que respiram o ar quente de uma noite de verão e impelem avanços e recuos, conquistas e derrotas. 

é de vermelho-púrpura a árvore rasgada por rugas, marcas do sonho de uma beleza efémera talhada num rosto bafejado por correntes lúcidas e opacas desviado de um caminho inóspito e linear.

é apenas o absurdo cru de um vermelho refletido na alma de quem não sente
que a vida cintila nas estrelas
e que até elas têm fim.


Irene Ermida

07/01/2013

Tristeza



Há, por vezes, uma tristeza que me inunda os dias. Sem razão nenhuma. Apetece-me, simplesmente. Nela encontro o conforto de um calor contagiante. Sorridente. Trocamos olhares cúmplices e reanimamos memórias numa busca de ínfimos pormenores de histórias que nunca chegaram a acontecer. 

Uma melancolia com travo a mel que demora no paladar e percorre cenários impossíveis e imaginários, na tranquilidade de recordações que poderiam ter sido, ou foram. E renasço num grão de areia ou numa gota do mar.

Irene Ermida

Vela(s) 3





entrego-me aos ventos fortes

no meu barco de velas perdidas

e arrisco um naufrágio


parto ao sabor das ondas e sem pontos cardeais


não há portos à minha espera

nem saudades de improváveis regressos

só há uma partida indefinida

arrastada por marés e ventos

que me leva para distâncias

inconcebíveis de mim.

Irene Ermida











02/01/2013

Vela(s) 2


ofereço-me sem artifícios 

que velas sem pecado 


à mercê de desejos e fantasias 


numa renúncia vencida 

pelo sabor e aroma de frutos exóticos 

que apetecem e incendeiam 

numa volúpia faminta 

que nutre entranhas 

e apazigua a acidez do tempo

na penumbra de um corpo 

                                                                                Irene Ermida

01/12/2012

Pormenores




Fotos: José Terra


São sonhos transparentes
fragmentos de vidas inventadas
histórias expostas e dores traídas
Rostos esvaídos no suor
da nudez do amor reencontrado
São olhares, traços, risos
esboços perdidos e achados
numa geometria sem medida
Tempos engolidos pelo vento
com finais inacabados
e sem lágrimas chorados
Histórias recomeçadas
na aridez de frios desertos
presas às raízes arrancadas
São luas acesas no mar
de subtis texturas e contrastes
São gestos e sinais ininteligíveis
de quotidianos distantes
de gastas rotinas cruzadas
São memórias entrincheiradas
de linhas paralelas que deslizam
em faces calejadas
São retalhos em movimento
e emoções acertadas
na sedução dos corpos, afogadas
São pormenores de vidas, apagadas
Que renascem na grandeza de uma aurora.

Irene Ermida

19/11/2012

Vela(s) 1

Foto: Ana Paula Silva 
http://olhares.sapo.pt/velas-foto5087097.html



agasta-me o tempo que penso

em nada senão no mesmo

e por pensar não digo


porque pertenço à roda do silêncio


e há velas que se apagam

num sopro de anéis

entrelaçados e sorridentes

de uma poeira espessa 

à volta de um astro

tão opaco e tão distante.
Irene Ermida

02/11/2012

Escrever



Se eu pudesse havia de... de...
transformar as palavras em clava!
havia de escrever rijamente.
Cada palavra seca, irressonante!
Sem música, como um gesto,
uma pancada brusca e sóbria.
Para quê,
mas para quê todo o artifício
da composição sintáctica e métrica,
este arredondado linguístico?
Gostava de atirar palavras.
Rápidas, secas e bárbaras: pedradas!
Sentidos próprios em tudo.
Amo? Amo ou não amo!
Vejo, admiro, desejo?
Ou não... ou sim.
E, como isto, continuando...
 E gostava,
para as infinitamente delicadas coisas do espírito
(quais? mas quais?)
em oposição com a braveza
do jogo da pedrada,
da pontaria às coisas certas e negadas,
gostava...
de escrever com um fio de água!
um fio que nada traçasse...
fino e sem cor... medroso...
Ó infinitamente delicadas coisas do espírito...
Amor que se não tem,
desejo dispersivo,
sofrimento indefinido,
ideia incontornada,
apreços, gostos fugitivos...
Ai, o fio da água,
o próprio fio da água poderia
sobre vós passar, transparentemente...
ou seguir-vos, humilde e tranquilo?

Irene Lisboa